O jardim venceu
Uma interpretação literal deste domínio justificou a propriedade privada, legitimou uma equivocada centralidade do homem sobre a natureza e embasou, teologicamente, a chamada civilização que está explorando a natureza até sua exaustão. E a imagem de Deus, muitas vezes, tornou-se grileiro de terras, destruidor de florestas, explorador do trabalho escravo e financiador da pistolagem. Um exército devastador e assassino, cuja violência está retratada em todas as páginas da história humana e que nada tem a ver com a mensagem bíblica da criação.
O pão partido: sinal e testemunho da ressurreição - Crer na ressurreição VII
A última reflexão veio a partir dos dois textos de Marcos que falam do sinal dos pães. O primeiro, aquele dos cinco pães e dois peixes, dos cinco mil sentados em grupos, dos doze cestos que sobraram, é a memória. O segundo é o eskaton, o amanhã: ainda não aconteceu. É o banquete que o Pai prepara para nós. Aí, depois dos “três dias”, tomaremos assento também nós, quatro mil, para comer os sete pães e recolher os sete cestos. Três, quatro, sete: números da totalidade, do futuro sonhado; números da ressurreição.
Ressurreição: libertar a vida aprisionada - Crer na ressurreição VI
Para o Galileu Ieshuah bem Iosef ve Miriam o templo nunca mais será mediador de vida. O templo é a figueira que nunca dará fruto; é inútil esperar pela estação dos frutos. A cúpula do templo brilha dourada, sobre “este monte” que quem tem um mínimo de fé, deve jogar no mar, mandar ao diabo. Jogar no mar tudo o que se constrói sobre a pureza e sobre a santidade, sobre o garantir para si a retribuição de Deus, para escolher de viver como comunidade de pecadores que sabe sempre se perdoar um ao outro.
A fé de Jesus na ressurreição - Crer na ressurreição V
Mas para Jesus de Nazaré, o filho de José e de Maria, o que quis dizer crer na ressurreição? A proclamação da sua fé na ressurreição se faz sempre presente quando Jesus vive a tentação de ser como os outros o querem. Quando Pedro o chama o “Cristo”, o ungido, ou o “filho de Deus aquele que vive”, ou o “Cristo de Deus”, Jesus reconsidera as afirmações e se proclama o “filho do homem” que será morto para, depois, ressurgir no terceiro dia.
Ressurreição: entre a memória e o mistério - Crer na ressurreição IV
Então nos perguntamos: que lugar teve a ressurreição na mística/espiritualidade do Jesus histórico, de Ieshuah bem Iosef veMiriam? Entendemos que falar de Jesus é difícil porque nos textos que temos se misturam sempre as três dimensões: a história, o mistério e a memória da comunidade. E, nas narrações da ressurreição, a dimensão memorial e mistérica são muito mais fortes do que a dimensão histórica.
Ressurreição: a fidelidade de Deus em Jesus - Crer na ressurreição III
Então, para nós que cremos e anunciamos a ressurreição, o que quer dizer pensar na ressurreição a partir de Jesus, o vivo, do qual somos testemunhas? Podemos começar mal e percorrer um caminho errado se nos pomos a pergunta errada: o que aconteceu com o corpo de Jesus? O anúncio da ressurreição não tem nada a ver com a explicação do que aconteceu com o corpo/ cadáver de Jesus.
Ressurreição: a Justiça de Javé - Crer na ressurreição II
Então nos perguntamos: por que e como se chegou a falar de ressurreição? O problema se põe quando morre quem não devia morrer. Quando quem morre é uma “vítima”, vítima da violência, da opressão, da guerra, da injustiça, da fome...
Quando morre uma pessoa cuja vida devia estar nas mãos de Deus e lhe foi tirada por um violento (1). A ressurreição não nasce a partir das especulações intelectuais de algum filósofo, mas do coração de uma mãe diante do corpo do filho morto por um poderoso.
Memória histórica como continuidade da vida - Crer na ressurreição I
Como falar da ressurreição a quem crê, a pessoas que além de crer se esforçam para levar outros a crerem?
Comecei lembrando que para os antigos israelitas a morte nunca foi um problema. A morte “natural”, por velhice, por doença ou por acidente, não precisava de uma “ressurreição” para ser vivida. Era mesmo natural.
O caminho da justiça (1 Rs 21)
Entra em cena Nabot. Um agricultor israelita, cuja terrinha está perto de¬mais do palácio do rei Acab. Nesta terra, ele plantou uma vinha, para sus¬tento dele e de sua casa.
O olho do rei cobiça esta terra. Ele quer comprá-la para dela fazer um jar¬dim e ampliar seu palácio.
O rei tem dinheiro, pode comprar a terra, ou, se Nabot preferir, pode até trocá-la por uma propriedade melhor e maior.
Uma memória, um projeto (1 Re 19)
A Bíblia tem sempre a grande capacidade de nos surpreender.
Da vez passada encontramos um Elias forte, corajoso, desafiador, capaz de reunir o povo, de provocar conflito. Sem medo.
Agora, página virada, Elias se nos apresenta com medo, inseguro, decidido a fugir.
Ir ao deserto. De novo. Mas agora sem a certeza de ser alimentado pelos corvos, como no capítulo 17. Ir ao deserto, para morrer. Melhor morrer de fome no deserto, do que pela espada da rainha Jezabel.
"Agora basta, Javé! Tira a minha vida".



