05 de julho - XIV Domingo do Tempo Comum
Bem no capítulo primeiro do Evangelho de Marcos, Jesus ensina numa sinagoga. A primeira coisa que o povo percebe é o jeito diferente de Jesus ensinar. Não é tanto o conteúdo, mas sim o jeito que impressiona. Por este seu jeito diferente, Jesus cria consciência critica no povo com relação às autoridades religiosas da época. O povo percebe, compara e diz: “Ele ensina com autoridade, diferente dos escribas” formados em teologia.
Hoje lemos o sexto capítulo e Jesus, missionário itinerante, depois de ter curado a filha de Jairo, chefe da sinagoga, viaja com os discípulos para sua terra, entra na sinagoga lotada de conterrâneos , ensina, gera escândalo e incompreensão, não podendo fazer ali milagre algum, a não ser abençoar uns doentes.
Para Marcos, esta é a última vez que Jesus vai a Nazaré. É também a última vez que entra numa sinagoga, lugar onde os judeus se reuniam aos sábados para ouvir a Palavra de Deus e rezar. Os “religiosos” concidadãos de Jesus não querem admitir que alguém como eles possa ter sabedoria superior á dos profissionais e realize ações que indiquem uma presença de Deus. Acostumados ás práticas da sinagoga, rejeitam a novidade, não querem romper com o passado tranqüilo e seguro.
Jesus vai á sua terra em companhia dos discípulos, sua “nova família”, feita por aqueles que respondem ao chamado. Em Nazaré também chegou a notícia de que Jesus tocou no leproso, em Cafarnaum foi preciso destelhar o telhado para um paralitico entrar em casa, já sentou á mesa com pecadores/as... E todos ficam habilitados por ele a entrar na nova família! É demais! A prática de Jesus derruba a antiga casa, as certezas eternas: basta, ele precisa de uma surra!
O que acontece com Jesus neste Evangelho pode se repetir com os missionários de hoje, quando ao contar como Jesus tem um projeto de “libertação integral”, se defrontam com uma reação de indiferença, intolerância e incredulidade até dentro da mesma igreja. Existe a tentação de se separar a vida religiosa da vida real. É o risco de fugir das responsabilidades reais, sob pretexto de servir a Deus. Procura-se o extraordinário, esquecendo o compromisso cotidiano. O evangelho recorda que o profeta é aquele que sabe ver a vontade de Deus nas situações e necessidades praticas da vida. Um claro exemplo foi São Daniel Comboni que soube despertar a igreja “adormecida e fechada” para ás necessidades da missão africana. Soube transformar o extraordinário em ordinário. Isso é milagre!
No dia a dia da comunidade o milagre acontece quando se ensina sabendo escutar o outro, valorizando o pequeno e o pobre, sacramento de Deus. Somos ‘boa notícia’ de Deus quando ajudamos a criar consciência critica, fazendo o outro falar e não calar, agir na direção da justiça e da paz.



