Missão: ser presença solidária

Autor do texto: 
Antonio Guglielmi

Está disponível, na página web www.comboni.org, o documento escrito por alguns missionários combonianos sobre a missão: “Viver e trabalhar às margens com os mais pobres”. O referido documento, dirigido aos Capitulares combonianos de 2009, tem a adesão de quase duzentos missionários espalhados pelo mundo afora. Acredita-se que muitos tenham lido e concordado com aquilo que foi publicado. Parabéns, pela iniciativa, porque vem contemplar o pedido da criação de uma ‘network’ entre os membros da “Família” Comboniana (religiosos, religiosas e leigos) e, ao mesmo tempo, observar  que o tema da inserção, é uma estratégia missionária, que toca profundamente a quem a experimenta.

Como missionário, já caminhei muito com o povo, inserido na cultura e costumes de cada região, vivenciando e partilhando dos sofrimentos e alegrias, como fruto da evangelização. O povo demonstra a presença positiva com o coração aberto para acolher os ensinamentos dos missionários e repassar aos mesmos a sua forma de viver... Por isso, sugiro o termo, “presença solidária” como peça fundante na missão de cada pessoa no servir com humildade, simplicidade e, sobretudo, viver na dimensão da partilha, do estar próximo.

Presença solidária ou solidariedade – é uma maneira de estar próximo do povo e ser presença significativa, assumindo um estilo de vida próprio no desempenho da missão, que tem como prioridade ‘o POBRE’. Para que a presença seja solidária, precisa ser traduzida em gestos, atitudes, compromissos e escolhas corajosas a favor dos pobres, que formam a maior parte da humanidade, sentindo-se co-responsáveis. Desta forma, o missionário cristaliza um novo jeito de ser e encarar a realidade, diante das pessoas que a constituem,  por isso a Missão é dinâmica e deve ser vivida com intensidade, através da convivência harmoniosa entre os membros das comunidades, para a aquisição de novos conhecimentos, que envolve a educação e experiência religiosa.

Portanto, cabe ao missionário, criar e adequar o seu próprio jeito de perceber a realidade, sem fingimentos, mas com tudo aquilo que ele acredita. Neste sentido podemos afirmar que ser solidário revela o mundo inteiro do missionario, desvela o homem amante a Deus, manifesta a seriedade com que enfrenta a vida cotidiana, mas em particular sua força interior que o implusiona a colocar-se diante da realidade indipendentemente dos lugares onde trabalhará. Presença no respeito ao ambiente, em, numa atitude coerente consigo mesmo e com os outros,

Nestes meus vinte e sete anos de vida comboniana, acredito ter adquirido larga experiência como “missionário inserido”, vivendo com os pobres, fonte de conversão.

Ainda não conheço o continente africano, mas trago histórias do chão que palmilhei no  Nordeste do Brasil, numa região particular chamada “Maranhão” dominada por uma família de políticos,  há mais de quarenta anos. Mesmo assim, o povo é alegre e acolhedor... Precisamente no sul do Maranhão, aprendi que é preciso ir ao encontro do outro e evangelizar de forma itinerante como foi o apóstolo Paulo...

Sobre o documento supracitado, tecerei alguns comentários, como também oferecerei sugestões, diante da minha experiência vivenciada na missão.

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