Centenas de arrestos e reações políticas após os protestos por eleições
Depois de uma semana de manifestações públicas em contra do resultado das eleições presidenciais que confirmaram Mahmoud Ahmadinejad à frente do país, ontem se viveu o primeiro dia de relativa calma em Teerã. Pelas ruas da capital iraniana, os partidários de Mir Hossein Mussavi – o candidato opositor de Ahmadinejad que não reconhece os resultados supostamente fraudulentos -, permaneceram, pela primeira vez, em silêncio, temendo, porém, as reações da polícia e do exército. Pelo menos 457 pessoas, segundo a imprensa oficial, foram arrestadas no curso das últimas horas, entre as quais cinco parentes do ex-presidente Hashemi Rafsanjani e sua filha Faezeh, suspeitos de fomentar as desordens e acusados de terem participado nas manifestações não autorizadas ocorridas no sábado passado. Também, segundo a própria polícia (embora outras fontes independentes calculem um número bem maior), treze pessoas morreram e 22 resultaram feridas. As autoridades iranianas reafirmaram não terem dado a ordem de abrir fogo em contra dos manifestantes; em declarações feitas hoje através da televisão do Estado, o chefe da policia de Teheran, Azizallah Rajabzadeh, disse que os seus homens “não estão autorizados a usar arma em contra de manifestantes” e que aqueles que causaram os incidentes teriam sido “elementos terroristas infiltrados”; alguns dos arrestados fariam também parte, segundo dados fornecidos pelas autoridades iranianas, da organização Mujahedin Khalq, um grupo rebelde constituído nos anos 60. Todavia, outras fontes fazem uma análise diferente dos acontecimentos, apontando o dedo em contra da policia, acusada de ter feito uso da força para bloquear os protestos. Para o ministro do Exterior, Manouchehr Mottaki, os recentes fatos foram “dramatizados” pela mídia ocidental. Para o ex-presidente Mohammad Khatami, seria oportuna uma investigação imparcial em torno do processo e do resultado das eleições: “a solução para estas agitações – disse Khatani – é a criação de um grupo investigativo, justo, profissional e imparcial, no qual possa confiar quem protesta e cujo juízo possa ser aceito por todos”. Misna.



